Somos água





Recentemente fui à minha psicóloga e diante dela estava eu, mais uma vez, externando minhas neuroses normais (ou nem tanto) da vida adulta. Um tema recorrente nos últimos tempos é o desejo/dilema de me envolver amorosamente de novo, após quase 2 anos sem essa experiência – e o risco de me magoar com isso.  Eu: “estou com medo”. Doutora psicóloga: “mas você está sendo humana. Há o risco da vulnerabilidade, mas você recebe outras coisas em troca, poder sentir, se apaixonar, se conectar…”

Fui ao trabalho e não pensei muito mais nisso e ao chegar à casa assisti a um vídeo no Youtube da Jout jout (como já mencionei no texto de abertura desse blog, a Júlia é tão incrível que muitas das minhas reflexões se derivam de coisas que a criatividade me traz após ver vídeos dela). Nesse vídeo ela fala de sensações do corpo humano.

Recordei a célebre frase do Eduardo Galeano (em tradução livre do espanhol para o português): “A Igreja diz: o corpo é uma culpa. A Ciência diz: o corpo é uma máquina. A publicidade diz: o corpo é um negócio. E o corpo diz: eu sou uma festa.”

Pensando sobre as emoções e o corpo, comecei a perceber o quanto é incrível e rica a quantidade de sensações que podemos ter e como cada uma delas é especial e tem, inclusive, um papel importante na nossa própria sobrevivência.

As sensações mais fortes da nossa existência, aliás, como não poderia deixar de ser um consectário lógico da biologia e da química, se manifestam em água, que compõe cerca de 70% do corpo humano na fase adulta.

Assim que ao sentir dor e tristeza caímos no choro, o medo e o esforço nos fazem suar pelos poros, a fome e a sede nos brindam com saliva (ou falta de insalivação) na boca e o prazer e o êxtase nos provocam o gozo, a lubrificação.

Queremos e ansiamos pelo prazer, mas da mesma forma que só podemos entender e apreciar a luz quando conhecemos as trevas, talvez nos seja necessária uma pequena quota de lágrimas escorrendo pela face para calar, fundo na alma, todos os nossos fantasmas e, após isso, aprender as lições que devem ser aprendidas na nossa caminhada.

Parafraseando a música do Projota: “Ela já acreditou no amor (…) mas não sabe mais/ Hoje ela só quer paz” agora eu diria: “ Hoje ela acredita no amor – primeiro o próprio, depois o recíproco”.

Até porque nada impede que algumas dessas lágrimas sejam de alegria, não é mesmo?

Obs.: texto originalmente escrito em 15/07/2019.

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